Resumo da palestra a Psicoterapia do Corpo:

Durante os trabalhos de bodywork, temos a condição de gentilmente através de nosso toque e respiração conversar com o inconsciente de nosso cliente e desta forma ajudar a liberar “cargas mentais” que se encontram presas ao corpo, materializadas em tensões variadas que vão com o tempo modificando a forma de interação com o meio.

Ao liberarmos estas cargas mentais ajudamos o nosso cliente a ter uma vida mais plena a partir da capacidade que ganha de reconhecer situações traumáticas, posturas defensivas e assuntos mal resolvidos que estão alterando sua inferência com o mundo. Esta capacidade de reconhecimento acontece de maneira protegida, ou seja, existe mais o alívio do reconhecimento do que o sofrimento da descoberta.

E porque isso acontece ?

Algumas vezes em nossa vida nos sentimos ameaçados por situações exógenas que não temos nenhum controle sobre a forma, duração e momento que vão acontecer, estas situações são chamadas de Trauma.

Quando eles acontecem (seja em larga ou baixa escala), ativam uma resposta imediata de nosso cérebro (através do sistema límbico e principalmente da  amígdala)  que ira a partir do evento mandar diversos estímulos diferentes para o corpo que vão ecoar durante  muito mais do que o evento traumático em si. Esta resposta vai então fazer parte do corpo e com certeza vai se  materializar como dores crônicas ou uma de diversas doenças somáticas possíveis.

A cada modificação que sofremos em nosso corpo físico uma nova reação ira acontecer em nossos processos mentais, assim o ciclo esta completo e redundante, uma “nova forma de ver o mundo” passa a nascer dali em diante.

Esta “nova forma de ver o mundo” é  regulada principalmente pela perda que sofremos de nossa capacidade de respirar, isso mesmo, respirar !

Uma das primeiras reações em todos os evento traumáticos é o enrijecimento da musculatura peitoral (e adjacente), nosso corpo se fecha como uma concha (mecanismo inconsciente de proteção), liberamos o hormônio cortisol em excesso, nossa respiração limitada pela couraça muscular enrijecida e pelo excesso de hormônio muda o seu  ritmo (chega a congelar em determinados instantes) e deixa de ser profunda (é o normal respirar profundamente).

Um destes músculos enrijecidos. ligado ao sistema nervoso autônomo, influenciado pela amígdala e fundamental na nossa respiração (lembre que respirar é um ato inconsciente),  o diafragma,  passa a ter um novo modo de funcionamento, e a respiração  se torna curta, com isso passamos a viver com menos oxigênio inundando nosso corpo e muitos órgãos internos (que estão longe dos pulmões) passam a não receber a quantidade que deveriam de oxigênio, estamos fisicamente comprometidos. Para você ter uma ideia do impacto inicial, os seguintes músculos estão diretamente ligados a respiração e são prejudicados:

– diafragma, esternocleidomastoideos, intercostais externos, escalenos, serráteis anteriores, intercostais internos, retos abdominais e demais músculos localizados na parede anterior do abdômen.

 

O comprometimento físico de um corpo que passa a não respirar em uníssemo (olhe para um bebe respirando, veja que quando ele respira o corpo inteiro responde ao movimento, “ondas” passam pelo seu corpo e sentimos que todo ele “treme” satisfeito e relaxado) é enorme, e com isso passamos a inferir com o mundo a nossa volta de uma forma diferente e assim cada nova ação tem uma reação (não natural) nova, e vamos pouco a pouco nos “habituando” a esta nova vida e  sem receber/entender os sinais que o inconsciente (conectados 100% do tempo aos campos energéticos que nos nutrem e cercam) manda somos incorporados a este novo formato e criamos métodos que nos permitem adaptar e viver pior (o ser humano é o animal com maior capacidade de adaptação do planeta e por isso um sobrevivente no alto da cadeia predatória).

Resumindo:

Trauma + Enrijecimento muscular + respiração = marca no físico.

 

Como abordamos o inconsciente através do corpo no bodywork ?

Minha experiência prática em consultório e a busca constante de sistemas que possibilitassem ver meu trabalho de psicoterapia/arteterapia ser mais contundente e eficaz, me levou a concluir que ao isolarmos a mente e o corpo como entidades que podem ser curadas em separado, leva sempre a resultados paliativos que:

1 – São ineficazes a longo prazo fazendo com que a pessoa retorne a um estágio anterior quando um novo trauma surge (a resposta neural e respiratória já esta modificada).

2 – São demoradas e a carga de sofrimento adquirido leva muitas pessoas a abandonarem o processo no meio.

3 – Quando são racionalizadas em excesso criam um ser artificial que tenta controlar seu inconsciente e assim se torna uma 3ª pessoa.

Algumas observações importantes que minha pratica revelou são:

1 – Determinadas pessoas respondem melhor ao toque terapêutico do que a conversa (e vice versa) no início do tratamento, mas em seu aprofundamento eles passam a aceitar bem os dois.

2 – Eventos que são somatizados ao extremo e dão resultado prático temporariamente passam a ser vistos como forma de ação obrigatória e constante.

3 – O corpo e a mente sempre reagem de forma positiva quando sentem que determinada prática traz uma melhora, no entanto as sinapses envolvidas na ação quando estamos sobre pressão tem uma tendência forte de serem as antigas e que vão causar uma somatização. Com isso a repetição é fundamental para a alterar o mecanismo inicial de ação.

 

Inexiste um manual de instruções desta abordagem,  vou abaixo falar sobre alguns pontos que “sinto” e trabalho constantemente e que podem ser úteis para você na sua jornada:

1 – As palavras, nascem de uma percepção consciente e lógica, muitas pessoas estão incapacitadas de se expressarem sobre a sua dor ou o seu sentimento que a levaram até você. Deixe as palavras iniciais para depois, trabalhe antes o corpo, deixe a sua percepção invadir os seus sentidos e seja atencioso e gentil, comunique-se primeiro com o toque.

2 – O processo conhecido como anamnese (que em grego significa trazer de novo a memória) eu considero como sendo de muito pouco valor, o próprio nome já o torna impróprio no conceito do inconsciente, afinal como vamos trazer a memória algo que não lembramos e esta inconsciente ?  Na abordagem holística os métodos de diagnóstico de doenças desconsideram as partes e tentam avaliar primeiro o todo. Meu conselho: evite conversa e mãos a obra ! trabalhe a pessoa e depois converse, quando a couraça estiver abaixada.

3 – O lado direito do corpo acumula experiências que foram vividas e reage a elas se retraindo quando são negativas e se expandindo quando são positivas.

4 – O lado esquerdo do corpo acumula os sentimentos e reage a eles tornando-se tenso quando são negativos  e relaxados quando são positivos.

5 – Existem 6 pontos (na foto do texto) no corpo que a partir deles podemos trabalhar as experiência inconscientes ajudando na liberação emocional e facilitando o entendimento da pessoa sobre a sua situação atual eles são a saber:

5A – Alto da cabeça (região da coroa) responde ao toque circular com a palma da mão. Ajuda nas dores de fundo emocional sua atividade renova as energias acumuladas e cria movimento.

5B – Atrás das orelhas, responde ao toque com a ponta do dedo indicador (ande com a ponto de seu dedo pressionando levemente de um aponta da orelha a outra). Ajuda a renovar a energia e apoia a pessoa a ignorar as opiniões externas, deixando-a menos influenciável pelo outro.

5C – Meio das costas (altura da vértebra C7)  responde ao toque circular com a palma da mão, Ajuda a equilibrar o racional/emocional liberando pré conceitos que afetam a energia do pensamento e corpo mental. Fundamental sua liberação no processo da pessoa se permitir sentir e querer modificar.

5D – Ombros (um ponto em cada lateral no fim da escapula)  responde ao toque circular. Ajuda na digestão de suas verdades facilitando com isso a aceitação de nossas fraquezas e negatividades.

5E – Quadril (localizado próximo de L5 na parte mais protuberante) responde ao toque circular. Ajuda a aterrar e trazer a energia para o aqui e agora,  faz com que a pessoa se aproxime de situações práticas e esteja mais aberta a elas ajudando assim a mudança.

5F- Mãos (localizado no meio do pulso é uma depressão na ligação com a mão que sentimos com o dedão) responde ao toque circular que deve ser feito com o dedão. Ajuda a diminuir as respostas emocionais fazendo com que a energia do corpo emocional seja “aterrada” e com isso  evita a euforia e a má percepção sensorial.

6 – Respire muito e profundamente fazendo um pequeno barulho. Esta prática vai fazer com que a pessoa que esta sendo tratada responda a vibração de sua respiração por biofeedback e comece assim a liberar as tensões de seu diafragma ao respirar profundamente.

7 – Comece a responder a pessoa quando ela em estado de relaxamento falar ou murmurar alguma coisa. Esta resposta deve ser dada com frases abertas e perguntas que levem a pensar de forma agradável, é uma conversa para ativar cada vez mais a troca inconsciente. Somos latinos e não orientais, a conversa é parte integrante de nossa cultura. Fale de forma pausada, marcando a respiração e baixo. Uma resposta aberta pode ser – que bom que você esta feliz, agora expanda esta felicidade para o dia de amanha e de ontem……

 

Esta é a ponta do iceberg, com certeza suas explorações por ele vão a cada dia torna-lo mais profundo !

Eu sistematizei a minha experiência no método Animasoma, quem sabe seja uma opção para você conhecer ?

Aproveite seu dia e torne o de uma outra pessoa melhor !

 

 

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